Opinião: Importância do exame médico desportivo como prevenção de lesões

Qual a importância deste tão falado exame para um atleta? Será realmente importante?

Parece evidente à primeira vista perceber que se trata de uma avaliação imprescindível do atleta em qualquer meio desportivo. No entanto, os vários agentes ligados ao desporto, tentam menospreza-lo sem consciência dos efeitos negativos que acarretam para o praticante. Assim, pretendo com esta opinião, incentivar a realização deste, principalmente em termos de prevenção de lesões.

É efectuado por um médico que faz a avaliação cuidada do estado físico e psicológico do atleta. Para além da avaliação clínica (cumprindo o preenchimento dos 13 pontos do boletim de exame – imagem) deve fazer-se acompanhar de electrocardiograma e Raio x tórax. O médico, ao assinar o exame, responsabiliza-se pela aptidão do atleta para a prática desportiva para a presente época.

O exame médico tem como objectivos: diagnosticar doenças ou condições que contra-indicam a prática desportiva e diagnosticar anomalias que possam prejudicar o rendimento desportivo ou ate mesmo predispor o atleta a lesão, caso não sejam precocemente detectadas.

Alguns exemplos são: 1- a avaliação do peso, altura e das massas gorda e muscular que permite inferir sobre o índice de massa corporal. O excesso de peso aumenta a probabilidade de lesões osteomusculo-tendinosas por excesso de carga sobre as estruturas e articulações; 2- através da avaliação morfológica do atleta onde se podem detectar: desvios de septo nasal – factor facilitador de aparecimento de lesões devido à não filtragem do ar, dismetrias de membros, alterações estruturais dos pés, joelhos, coluna, etc que podem carecer de correcção; 3- avaliação oftalmológica e auditiva – pela intima ligação com o sistema vestibular/equilíbrio e antecipação de situações que podem evitar contacto e consequente lesão; 4- avaliação estomatológica periódica: a cárie dentária pode predispor o atleta a lesões musculo-tendinosas assim como ausências dentárias ou outros problemas de disfunção temporomandibulares que influenciam a postura por alterações do sistema proprioceptivo; 5- avaliação do sistema cardio-respiratório, talvez o parâmetro com maior importância, deve-se controlar a frequência cardíaca, também a intramuscular, ciclos respiratórios, investigar ruídos respiratórios indicadores ou não de alguma patologia; 6- análise sanguínea – doenças sistémicas a valorizar, colesterol, acido úrico que principalmente predispõem os atletas a bursites e tendinites por deposição dos cristais do mesmo junto dos tendões que consequentemente aumentam a fricção das estruturas; 7- entre muitos outros exemplos.

Para além do que se falou, os desportistas devem fazer o ecocardiograma (ECG) e a prova de esforço. O ECG não é sensível o suficiente para detectar todas as irregularidades que possam existir mas ajuda na detecção de algumas pistas como disritmias, alterações valvulares que podem ter valor clínico para diagnósticos mais avançados. Com apenas o ECG a pessoa pode enganar-se podendo achar que se trata de “coração de atleta” (substancialmente maior que o coração de um individuo “normal”) e não de uma patologia.

Neste âmbito não consigo deixar de lembrar o trágico caso do jogador Miklos Féher, faleceu por miocardiopatia hipertrófica – principal causa de morte em jovens atletas. Não é suficiente saber que o coração funciona, mas sim de que forma ele trabalha!

Com isto, remato dizendo que o maior interessado pelo rigor deste exame médico-desportivo é e deve ser o próprio atleta.

Lígia Rio

Fisioterapeuta

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