Opinião: Validade dos modelos competitivos – o caso do basquetebol

Começou no último fim de semana a época (ndr: texto originalmente publicado a 11 de outubro) para as equipas femininas da Escola Desportiva de Viana, e apesar de estarmos ainda no início da temporada, não é preciso esperar mais para poder concluir que os clubes da nossa associação que irão participar nas provas nacionais vão ter uma tarefa muito complicada. O problema não está na qualidade dos treinadores ou na falta de empenho das atletas, mas sim num modelo de competição associativa totalmente falido em que a quantidade de equipas é claramente insuficiente para que se atinjam os parâmetros qualitativos das principais associações de basquetebol do país.

Este ano, à semelhança do que tem acontecido em épocas anteriores, existem três equipas a competir no escalão de iniciadas (sub-14), três formações de cadetes (sub-16) e duas de júniores (sub-19). Isto significa que, quando as equipas de Viana chegarem às competições nacionais, realizaram meia dúzia de jogos, quase um terço dos desafios disputados pelas formações do Porto (dezoito equipas de iniciadas, dezanove de cadetes e quinze de júniores). Além disso, convém relembrar que o equilíbrio é uma permanente em jogos de outras associações, algo que no nosso distrito não passa de uma miragem já que o título é quase sempre discutido entre duas únicas equipas. Feitos maiores em competições nacionais como os que têm acontecido a espaços, são fruto exclusivo de atletas fantásticas e incansáveis, que poderiam chegar muito mais longe se o modelo adoptado fosse outro.

Perante este situação, não se pode esperar que o basquetebol feminino vianense evolua ao ritmo do verificado noutras zonas do país. Se olharmos para Braga, onde o feminino tem sido uma grande aposta, concluímos que estamos a ficar para trás numa corrida em que estivemos ombro a ombro durante vários anos. Os nossos vizinhos fizeram uma aposta e começam agora a recolher os frutos da sua decisão. Cada vez há mais equipas, e graças a uma competição interna numerosa, o seu futuro é mais risonho em termos de qualidade e quantidade.

Num distrito onde há duas únicas equipas a apostar no feminino (EDV e EDL), está na altura de cruzarmos fronteiras, deixarmos oportunismos e orgulhos de lado, e juntarmos as duas associações numa competição única e verdadeiramente enriquecedora. Nós ficamos claramente a ganhar porque passamos a ter uma verdadeira preparação para os desafios que se seguem, e eles não ficam a perder porque o potencial da prova aumenta qualitativamente. A EDV tem manifestado várias vezes a intenção de se juntar a associações fortes sempre que a prova interna não tem qualidade suficiente, infelizmente, a associação continua a optar por soluções totalmente insuficientes como a criação de equipas à pressa que nada vêm acrescentar a quem realmente trabalha. Mais do que uma falta de consideração por quem leva a formação a sério, revela uma incapacidade frustrante de decidir um rumo e optar por um projecto a longo prazo que nos leve ao lugar que o nosso esforço merece.

Bruno de Oliveira

treinador de basquetebol

originalmente publicada aqui

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