Opinião: Contributos para o planeamento do treino do jovem andebolista – parte II

“ Planear é projectar o futuro antes de começar”

Planear é prever o futuro. É desta forma que o treinador estrutura a sua actividade após um conhecimento da modalidade, das características dos atletas e das suas próprias características.

Só após uma caracterização clara da realidade do clube poderemos definir os nossos objectivos com clareza, sem esquecer que estes deverão ser ambiciosos mas realistas.

Pretende-se formar atletas com níveis superiores àqueles que se encontram na alta competição, de acordo com as tendências futuristas da modalidade e do desporto.

Treino do jovem Atleta

O treino infanto-juvenil tem por objectivo o fornecimento de uma condição física de forma a promover uma qualidade de vida para o futuro desportivo. A maioria não irá completar o percurso até à alta competição, ficando pelas variantes de recreação ou divisões secundárias.

O treino inicia-se através da sistematização de processos. Em primeiro lugar há que explicar aos jovens o que é o treino, quais as suas regras, rotinas e forma de organização.

Em comparação com o adulto a criança deve brincar mais do que treinar. O período compreendido entre os 8 e os 12 anos representa um momento fértil para as aprendizagens. Neste período devido ao desenvolvimento psicomotor da criança esta consegue realizar qualquer movimento por mais difícil que ele seja.

Até aos 8 anos deve-se promover o desenvolvimento de habilidades motoras (correr, saltar, lançar arrancar, travar e rodar, etc.), visto que o sistema nervoso central não se encontra desenvolvido, de forma a realizar os devidos movimentos e a sua capacidade de concentração ainda é reduzida.

O pensamento lógico, útil para as situações tácticas do jogo, só mais tarde é que se desenvolve (puberdade).

Os jovens por sua vez possuem algumas vantagens de aprendizagem em relação aos adultos, não só por serem mais recentes ou estarem menos sobrecarregados pelas necessidades do dia-a-dia.

Factores Intervenientes no Desenvolvimento do Planeamento Desportivo

Na elaboração do seu planeamento todo o treinador deve ter em conta a conjugação dos diversos factores que nele intervêm.

O número de anos para chegar à alta competição é determinante para uma correcta definição da extensão e do tipo de plano a utilizar. No andebol ao iniciar-se por volta dos 12 anos, o jovem demorará entre 5 e 10 anos até atingir o máximo rendimento.

A idade em que se atinge o máximo rendimento. Hoje em dia assiste-se ao aumento da longevidade competitiva, com o aparecimento de campeões cada vez mais velhos. O nível de preparação e capacidade do desportista é cada vez mais exigente. Para tal é necessário um conhecimento profundo das características individuais do atleta, de forma a poder-se individualizar o mais possível, não correndo o risco de colocar as exigências desadaptadas face às capacidades dos atletas.

A idade em que se inicia a fase do treino especializado encontra-se dependente da maior ou menor precocidade da modalidade desportiva, da idade biológica do jovem atleta, das suas características individuais e do momento em que o treino se tornou sistematizado.

Ao longo dos anos de treino deve-se aumentar progressivamente o número e o tipo de competições, a carga de treino e o nível de especialização (posto especifico).

O treinador articula o momento da carga com o nível de maturação dos atletas, a aplicação dos sistemas de treino e do planeamento. A carga de treino deve aumentar ano após ano, respeitando as variações da periodização anual. Numa primeira fase assiste-se a um aumento do volume de treino (aumento do nº de treinos; aumento da duração; aumento do número de exercícios). Só depois de existir uma boa base de suporte motora e psicofisiológica é que podemos aumentar a intensidade das sessões de treino.

No treino dos jovens o mais importante é o ensino em detrimento da competição. È claro que os níveis de competição estão sempre presentes na actividade desportiva do jovem, controlada e aplicada pedagogicamente. O treinador tem de se consciencializar que o treino do jovem e o treino do adulto de alto rendimento são momentos distintos.

A definição clara de objectivos ambiciosos mas exequíveis, meios e sistemas a utilizar em cada etapa levará ao sucesso. Sem esquecer que o treino é um processo moroso.

Devem ser criadas rotinas de treino, no entanto a variabilidade de exercícios com objectivos comuns é benéfica para o desenvolvimento motor do jovem atleta.

Operacionalização de um planeamento de treino

Numa primeira fase devemos dividir a época em 3 períodos naturais correspondentes aos períodos escolares.

Os períodos de férias e interrupções escolares são momentos óptimos de treino.

O passo seguinte diz respeito à elaboração de um planeamento nunca superior a 2 anos por causa das alterações de crescimento e desenvolvimento das estruturas com implicação nas componentes do treino, assim como as possíveis alterações de treinador e métodos de treino.

Os objectivos, meios e sistemas de controlo fazem parte do modelo de programação, os quais devem definir os possíveis estados de evolução a atingir.

  • Os jovens devem ter uma actividade desportiva orientada durante um período anual de 10 meses
  • A mesma sessão de treino deverá manter-se durante 4 a 6 semanas para que as aprendizagens sejam consolidadas.

Conclusão

Não é fácil planear uma modalidade tão complexe como o Andebol, onde a conjunção das componentes do treino (técnica, táctica, física, psicológica e teórica); os seus subgrupos (ataque, defesa, contra-ataque, guarda-redes, força, velocidade, resistência, flexibilidade, coordenação, espírito de conquista, capacidade de choque…) e o escalão etário, deverão ser articuladas de forma integrada (treino integrado) respeitando os princípios do treino e os momentos de desenvolvimento.

Para além da aprendizagem e desenvolvimento das várias acções da modalidade, não nos podemos esquecer que é igualmente importante o seu amadurecimento, pois só assim é possível, no futuro, retirar o máximo rendimento dos atletas.

Um bom planeamento desportivo depende de uma boa definição de objectivos, da avaliação e controlo por parte do treinador, do grau de treinabilidade e capacidade motivacional do atleta e da persistência de ambos. A avaliação final resulta numa adaptação com sucesso às exigências da competição sénior.

Carlos Alberto Pereira

Licenciado em Educação Física

Treinador de Andebol da AD Afifense (Seniores)

recorde aqui a primeira parte do artigo

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